Segunda-feira, Maio 22, 2006

Métodos de Psicofísica Clássica I – Introdução

Com os rudimentos básicos dos fundamentos da Psicofísica Clássica já traçados, começamos com este post uma nova sequência de tópicos acerca das metodologias experimentais. Sem descurar a importância destes aspectos, procuraremos, não obstante, ser o mais sucintos e breves na postagem dos textos que constituirão os mesmos.

Conforme pôde constatar o leitor que já há algum tempo nos acompanha, os fundamentos teóricos da Psicofísica Clássica assentam invariavelmente na determinação empírica de limiares absolutos e diferenciais. Desta forma, apresentar um estímulo de intensidade muito baixa e perguntar ao sujeito se o percepciona/detecta ou não – para o limiar absoluto –, ou fazer variar a intensidade física de um estímulo e questionar o sujeito por forma a averiguar se este discrimina essa variação ou não – para o limiar diferencial –, constituem a lógica básica para medida dos limiares.

Contudo, uma questão a não negligenciar impõe-se, desde logo, nestes procedimentos. A saber, os sistemas biológicos não são fixos nas suas reacções, mas sim variáveis. Como exemplo, quando um observador é exposto sistematicamente a um mesmo estímulo com uma intensidade arbitrariamente baixa, é provável que nalguns casos afirme que detectou o mesmo, enquanto que numa série de outros negue que esse mesmo estímulo tenha sido percepcionado. Obviamente, existirão intensidades de tal forma baixas que um qualquer observador nunca os possa sentir e outros de tal forma elevados que os sinta invariavelmente. Porém, é fácil concluir que existirá uma faixa de intensidades na qual a percepção funciona de forma não tão determinista. Logo, o limiar (que o leitor certamente já terá concluído que se situará nessa mesma faixa) nunca pode ser medido como aquela intensidade abaixo da qual um sujeito NUNCA percepciona um estímulo ou acima da qual o percepciona SEMPRE.

Assim, a noção de limiar, pelo menos quando definida empiricamente, deverá ser agora enfraquecida: um limiar é um valor estatístico abaixo do qual a probabilidade de detecção de um estímulo é tanto menor quanto menor for a intensidade desse estímulo e acima do qual a probabilidade de detecção do mesmo é tanto maior quanto maior for a intensidade desse.

O leitor mais atento notou certamente que parte considerável desta breve discussão se centrou sobre a noção de limiar absoluto. Argumentos semelhantes são fácil e trivialmente evocados para a definição empírica de limiares diferenciais, pelo que não o faremos com pormenor nesta postagem. Nos textos que se seguirão a este iremos sucessivamente apresentar as técnicas específicas de medida dos limiares, que, não obstante a existência de algumas variações, se podem resumir a três: Método do Estímulo Fixo, Método dos Limites e Método do Ajuste. Cada um deste possui obviamente especificações para a medida de limiares absolutos ou diferenciais, consoante o caso.

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