Na sequência das nossas discussões anteriores em torno das derivações teóricas e testes empíricos da Lei de Stevens, surge naturalmente a questão da simetria das escalas de medida sensorial. Queremos com isto referirmo-nos ao seguinte facto: Se, perante determinadas intensidades do estímulo, os sujeitos fornecem certas intensidades de resposta fazendo corresponder iguais razões nos dois domínios (na estimação de magnitude, usando o contínuo numérico como resposta), então será de esperar que resultados semelhantes sejam obtidos quando se apresentam aos sujeitos determinadas respostas prévias (por exemplo, intensidades numéricas obtidas por estimação de magnitude) sendo a tarefas desses produzir estímulos com iguais razões de magnitude. Note o leitor que a tarefa é simplesmente o inverso do que ocorria na Estimação de Magnitude: aqui, um qualquer número escolhido arbitrariamente, é associado a uma dada intensidade do estímulo; nos ensaios seguintes, perante a apresentação de determinados valores numéricos, o sujeito deverá produzir um estímulo igualmente intenso. Por exemplo, se o número de referência fosse 100 e estivesse associado à intensidade do estímulo x, perante o número 50 o sujeito deveria ajustar a intensidade sonora até que esta lhe parecesse possuir metade da intensidade do som x; e assim sucessivamente para outros valores numéricos. Com efeito, quando esta metodologia – apelidada de Produção de Magnitude – é usada, os resultados adequam-se igualmente bem a uma função de potência, não obstante, com uma particularidade. Tudo indica que na estimação de magnitude os sujeitos tenham tendência a restringir a amplitude de respostas usadas, mais do que na produção de magnitude, resultando daqui que o expoente da função psicofísica obtida por este último método tenha tendência a ser ligeiramente mais elevado que o expoente obtido por estimação de magnitude para a mesma modalidade. O leitor poderá apreciar este fenómeno na imagem que se segue para a percepção da intensidade sonora (adaptada de Gescheider, 1997).

De resto, este efeito é sistemático, tanto que é frequente que a determinação do expoente psicofísico de uma qualquer modalidade seja estimada pela média obtida pelos dois métodos, sob a hipótese de que a estimação de magnitude fornece uma estimativa do expoente por defeito e a produção de magnitude uma estimativa por excesso.

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