Não necessariamente central na teoria estrita da medida, o problema do significado relaciona se directamente com os anteriores. Mais que isso, refere se, de certa forma, ao caminho inverso aquele tomado pelo problema da representação – agora são declarações numéricas que são referenciadas a fenómenos empíricos. O problema está, obviamente, em delimitar declarações com e sem significado, no contexto de medida alcançado na resolução dos problemas precedentes. Como o explicitam Suppes & Zinnes (1967), “uma declaração numérica é significativa se e só se a sua validade (ou falsidade) é constante sob as transformações admissíveis de escala em qualquer uma das suas correspondências numéricas, isto é, qualquer das suas funções numéricas expressando os resultados da medida” (tradução nossa).
Retomando o exemplo exposto ao leitor no último post, acerca do problema da unicidade, poderá o leitor, em primeiro lugar, notar que ambas aquelas declarações omitem a unidade de medida usada (Celsius, Fahrenheit, Kelvin), o que faz de ambas frases algo ambíguas. Contudo, a ambiguidade da frase (i) é crítica. O ponto a notar é que a afirmação é desprovida de significado, pois a sua validade não é invariante consoante a medida usada. Por outro lado, a declaração (ii) é verdadeira, independentemente a unidade de medida adoptada, pelo que concluímos que a mesma é dotada de significado empírico.
Note se que ambas as frases não possuíam, à partida, referência a unidades de medida, mas nem por isso uma delas deixou de ser válida. O ponto é que a determinação de unidades de medida e a apreciação do seu significado empírico é uma discussão que sucede, e não antecede, a investigação do significado da escala, ao contrário do que se poderia presumir à partida. Da mesma forma, note se que a explicitação do problema do significado não possuía qualquer referência a operações físicas que possam ou não ter estado na base da medida, o que sugere que o significado de declarações numéricas é determinado exclusivamente pelas propriedades de unicidade das correspondências numéricas ou medidas.
Adicionalmente, Coombs et al (1970) distinguem as seguintes linhas de argumentação em torno das quais poderá girar, para determinados sistemas de medida, o problema do significado:
Previsão. Com frequência, índices de medida podem, em certos casos, ser desenvolvidos com o intuito de efectuar determinadas previsões empíricas, segundo o raciocínio habitual de causalidade de variável independente → variável dependente. Uma qualquer escala de medida poderá, neste contexto, e consoante o seu sucesso de predição empírica, revestir se de significado. A título exemplificativo, e conforme veremos a seu tempo, os testes de QI e outras escalas psicométricas são validadas nestes termos.
Descripção. Outras situações há em que as atribuições numéricas resultantes da medida servem propósitos descriptivos, a respeito de uma qualquer amostra. Ainda que tal uso possa verificar se simultaneamente informativo e útil, a interpretabilidade das escalas e o interesse teórico das mesmas vê se diminuído. Ainda assim, pode constituir um aspecto importante na resolução do problema do significado.
Atribuição Directa. Refere se este ponto a tarefas, por demais comuns e generalizadas em Psicologia, em que um sujeito deverá fazer corresponder números a estímulos de acordo com um qualquer conjunto de regras, como, por exemplo, partição de categorias, escalas numéricas e visuo analógicas e estimação de magnitude. Ainda que muitas destas metodologias não sejam formuladas em termos axiomáticos num âmbito de teoria da medida, certas assunções acerca do tipo de escala resultante são frequentes. Aqui é preciso notar que tais declarações dependem, numa perspectiva estrita, da explicitação de axiomas e derivação lógicas de teoremas de representação e unicidade. Ainda assim, certas propriedades das escalas de medida são passíveis de serem testadas nestas metodologias pelo que, no mínimo, podemos afirmar que uma qualquer escala se comporta “como se” fosse um qualquer tipo de escala. Além disso, elaborações teóricas subjacente revelam se, com frequência, importantes fontes de validação e significação destas medidas.
Retomando o exemplo exposto ao leitor no último post, acerca do problema da unicidade, poderá o leitor, em primeiro lugar, notar que ambas aquelas declarações omitem a unidade de medida usada (Celsius, Fahrenheit, Kelvin), o que faz de ambas frases algo ambíguas. Contudo, a ambiguidade da frase (i) é crítica. O ponto a notar é que a afirmação é desprovida de significado, pois a sua validade não é invariante consoante a medida usada. Por outro lado, a declaração (ii) é verdadeira, independentemente a unidade de medida adoptada, pelo que concluímos que a mesma é dotada de significado empírico.
Note se que ambas as frases não possuíam, à partida, referência a unidades de medida, mas nem por isso uma delas deixou de ser válida. O ponto é que a determinação de unidades de medida e a apreciação do seu significado empírico é uma discussão que sucede, e não antecede, a investigação do significado da escala, ao contrário do que se poderia presumir à partida. Da mesma forma, note se que a explicitação do problema do significado não possuía qualquer referência a operações físicas que possam ou não ter estado na base da medida, o que sugere que o significado de declarações numéricas é determinado exclusivamente pelas propriedades de unicidade das correspondências numéricas ou medidas.
Adicionalmente, Coombs et al (1970) distinguem as seguintes linhas de argumentação em torno das quais poderá girar, para determinados sistemas de medida, o problema do significado:
Previsão. Com frequência, índices de medida podem, em certos casos, ser desenvolvidos com o intuito de efectuar determinadas previsões empíricas, segundo o raciocínio habitual de causalidade de variável independente → variável dependente. Uma qualquer escala de medida poderá, neste contexto, e consoante o seu sucesso de predição empírica, revestir se de significado. A título exemplificativo, e conforme veremos a seu tempo, os testes de QI e outras escalas psicométricas são validadas nestes termos.
Descripção. Outras situações há em que as atribuições numéricas resultantes da medida servem propósitos descriptivos, a respeito de uma qualquer amostra. Ainda que tal uso possa verificar se simultaneamente informativo e útil, a interpretabilidade das escalas e o interesse teórico das mesmas vê se diminuído. Ainda assim, pode constituir um aspecto importante na resolução do problema do significado.
Atribuição Directa. Refere se este ponto a tarefas, por demais comuns e generalizadas em Psicologia, em que um sujeito deverá fazer corresponder números a estímulos de acordo com um qualquer conjunto de regras, como, por exemplo, partição de categorias, escalas numéricas e visuo analógicas e estimação de magnitude. Ainda que muitas destas metodologias não sejam formuladas em termos axiomáticos num âmbito de teoria da medida, certas assunções acerca do tipo de escala resultante são frequentes. Aqui é preciso notar que tais declarações dependem, numa perspectiva estrita, da explicitação de axiomas e derivação lógicas de teoremas de representação e unicidade. Ainda assim, certas propriedades das escalas de medida são passíveis de serem testadas nestas metodologias pelo que, no mínimo, podemos afirmar que uma qualquer escala se comporta “como se” fosse um qualquer tipo de escala. Além disso, elaborações teóricas subjacente revelam se, com frequência, importantes fontes de validação e significação destas medidas.

0 comentários:
Enviar um comentário