O âmbito do segundo problema fundamental da medida – o problema da unicidade – é imediato se o leitor notar que existem com frequência importantes diferenças fundamentais entre o tipo de atribuição numérica a objectos derivada de diferentes procedimentos de medida. De facto, é neste âmbito que se configura a questão do Tipo de Escala de Medida.
Um exemplo clássico é o seguinte. Tome o leitor, por exemplo, as seguintes declarações: (i) “a razão da temperatura máxima de hoje (tn) com a de ontem (tn-1) é de 1.10”; (ii) “a razão da diferença das temperaturas máximas de ontem e de hoje (tn e tn-1) com aquela entre hoje e amanhã (tn e tn+1) será de 0.95”. Em primeiro lugar, poderá o leitor notar que ambas as declarações omitem a unidade de medida usada (Celsius, Fahrenheit, Kelvin), o que faz de ambas frases algo ambíguas. Contudo, a ambiguidade da frase (i) é crítica. Senão vejamos, suponha o leitor que na declaração (i) nos referíamos a graus Fahrenheit e que tn=110 e tn-1=100. Concluiríamos, de imediato, que (i) é verdadeira. Porém, repetindo o exercício em graus Celsius – tn=43.3 e tn-1=37.8 – a razão é de 1.15 e não de 1.10, falsificando assim a frase (i). O ponto a notar é que a afirmação é desprovida de significado, pois a sua validade não é invariante consoante a medida usada. Por outro lado, suponha o leitor que na frase (ii) nos referíamos a graus Fahrenheit, tendo, como exemplo, tn-1=60, tn=79 e tn+1=99. É fácil verificar que a asserção (ii) é, desta forma, verdadeira. Contudo, convertendo os graus Fahrenheit para graus Celsius temos tn-1=15.56, tn=26.11 e tn+1=37.2. Como poderá o leitor verificar, a declaração (ii) é, assim, igualmente verdadeira, pelo que concluímos que a mesma é dotada de significado empírico. Note se que ambas as frases não possuíam, à partida, referência a unidades de medida, mas nem por isso uma delas deixou de ser válida. O ponto é que a determinação de unidades de medida e a apreciação do seu significado empírico é uma discussão que sucede, e não antecede, a investigação do significado da escala, ao contrário do que se poderia presumir à partida. De qualquer modo, o ponto a notar é que estas escalas de medida da temperatura (Fahrenheit e Celsius) apenas permitem asserções válidas para intervalos de intensidade, e não para razões. Dito de outra forma, a validade das mesmas mantém-se para transformações que preservem os intervalos, ou transformações lineares. Ainda de outra forma, a sua unicidade mantém-se somente para essas transformações.
No contexto da Teoria Representacional da Medida, o conceito de escala é nos dado por: Sendo ξ um sistema relacional empírico, λ um sistema relacional numérico e f uma função que faz corresponder ξ a um sub sistema de λ, temos que

é uma escala.
Por outro lado, recordamos, a teoria das escalas de medida terá sido avançada por Stevens, sendo que, de forma breve, o essencial da operação de medir consistiria na ideia de correspondência. Por norma, medir significa, neste contexto, fazer corresponder números a objectos de acordo com um certo conjunto de regras. Mais, as transformações posteriores que são possíveis efectuar na escala assim obtida sem perda de informação determinariam o tipo de medida ou escala alcançado, tendo Stevens distinguido os seguintes:

Neste sentido, torna se óbvio que o tipo de escala é nos dado pela relativa unicidade da função f, acima. Por exemplo, assuma o leitor que

é uma escala, tal como

Assim,

será uma escala de razão se existir uma transformação φ de semelhança tal que

em que ● se refere à composição de funções, i.e.,

O mesmo raciocínio pode, facilmente, ser generalizado para as restantes escalas.
Por fim, e retomando o nosso exemplo das temperaturas, é trivial concluir que essas escalas em particular serão do tipo intervalar (pelo menos apresentam empiricamente um comportamento compatível com estas; deixamos aqui esta nota pois, ao contrário do que frequentemente é sugerido, a determinação do tipo de escala resulta da prova de um Teorema da Unicidade, exercício apenas possível no âmbito de uma formalização axiomática do sistema de medida em causa).
Um exemplo clássico é o seguinte. Tome o leitor, por exemplo, as seguintes declarações: (i) “a razão da temperatura máxima de hoje (tn) com a de ontem (tn-1) é de 1.10”; (ii) “a razão da diferença das temperaturas máximas de ontem e de hoje (tn e tn-1) com aquela entre hoje e amanhã (tn e tn+1) será de 0.95”. Em primeiro lugar, poderá o leitor notar que ambas as declarações omitem a unidade de medida usada (Celsius, Fahrenheit, Kelvin), o que faz de ambas frases algo ambíguas. Contudo, a ambiguidade da frase (i) é crítica. Senão vejamos, suponha o leitor que na declaração (i) nos referíamos a graus Fahrenheit e que tn=110 e tn-1=100. Concluiríamos, de imediato, que (i) é verdadeira. Porém, repetindo o exercício em graus Celsius – tn=43.3 e tn-1=37.8 – a razão é de 1.15 e não de 1.10, falsificando assim a frase (i). O ponto a notar é que a afirmação é desprovida de significado, pois a sua validade não é invariante consoante a medida usada. Por outro lado, suponha o leitor que na frase (ii) nos referíamos a graus Fahrenheit, tendo, como exemplo, tn-1=60, tn=79 e tn+1=99. É fácil verificar que a asserção (ii) é, desta forma, verdadeira. Contudo, convertendo os graus Fahrenheit para graus Celsius temos tn-1=15.56, tn=26.11 e tn+1=37.2. Como poderá o leitor verificar, a declaração (ii) é, assim, igualmente verdadeira, pelo que concluímos que a mesma é dotada de significado empírico. Note se que ambas as frases não possuíam, à partida, referência a unidades de medida, mas nem por isso uma delas deixou de ser válida. O ponto é que a determinação de unidades de medida e a apreciação do seu significado empírico é uma discussão que sucede, e não antecede, a investigação do significado da escala, ao contrário do que se poderia presumir à partida. De qualquer modo, o ponto a notar é que estas escalas de medida da temperatura (Fahrenheit e Celsius) apenas permitem asserções válidas para intervalos de intensidade, e não para razões. Dito de outra forma, a validade das mesmas mantém-se para transformações que preservem os intervalos, ou transformações lineares. Ainda de outra forma, a sua unicidade mantém-se somente para essas transformações.
No contexto da Teoria Representacional da Medida, o conceito de escala é nos dado por: Sendo ξ um sistema relacional empírico, λ um sistema relacional numérico e f uma função que faz corresponder ξ a um sub sistema de λ, temos que

é uma escala.
Por outro lado, recordamos, a teoria das escalas de medida terá sido avançada por Stevens, sendo que, de forma breve, o essencial da operação de medir consistiria na ideia de correspondência. Por norma, medir significa, neste contexto, fazer corresponder números a objectos de acordo com um certo conjunto de regras. Mais, as transformações posteriores que são possíveis efectuar na escala assim obtida sem perda de informação determinariam o tipo de medida ou escala alcançado, tendo Stevens distinguido os seguintes:

Neste sentido, torna se óbvio que o tipo de escala é nos dado pela relativa unicidade da função f, acima. Por exemplo, assuma o leitor que

é uma escala, tal como

Assim,

será uma escala de razão se existir uma transformação φ de semelhança tal que

em que ● se refere à composição de funções, i.e.,

O mesmo raciocínio pode, facilmente, ser generalizado para as restantes escalas.
Por fim, e retomando o nosso exemplo das temperaturas, é trivial concluir que essas escalas em particular serão do tipo intervalar (pelo menos apresentam empiricamente um comportamento compatível com estas; deixamos aqui esta nota pois, ao contrário do que frequentemente é sugerido, a determinação do tipo de escala resulta da prova de um Teorema da Unicidade, exercício apenas possível no âmbito de uma formalização axiomática do sistema de medida em causa).




